quarta-feira, 28 de abril de 2010

Um daqueles dias


Tem dias em que as palavras não querem formar frases, que os pensamentos ficam reverberando sem ir para lugar nenhum e que o sol fica te chamando pra ir lá fora deitar na grama.

Nesses dias eu vejo as cores melhor do que os formatos, e me parece que as partes do meu corpo não fazem parte do todo e tem um pouquinho de vontade própria. Dá pra sentir cada um dos dedos. O lábio em cima dos dentes.

E é nesses dias que eu me lembro mais e melhor de alguns acordes de algumas músicas, e que Carlos Drummond faz ainda mais sentido que o normal, que eu encosto nas paredes enquanto ando no corredor.

Hoje está mais fácil de pensar que o trabalho é bom porque eu conheço muita gente interessante, e eles permitem que eu observe como eles pensam. As frutas querem escorrer até os cotovelos e eu penso em abraçar as crianças (Bi, Lu, João) e ao mesmo tempo imaginar que eles são tamanho normal e eu sou gigante. E a gente usa chapéu e pode voar.

DISCLAIMER: Este texto foi produzido sob condições normais e não é efeito de nenhum psicotrópico. É só para dividir um pouco com vocês o que eu experimento dentro de mim mesma. Estranho e bom.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Atualização


Eita blog lerdo esse, né? Hoje eu vi que faz uma semana que eu não escrevo, mas é que as coisas por aqui não estão assim, num ritmo frenético. Muito pelo contrário, parece que eu entrei num túnel de espaço-tempo viscoso, que nem aqueles sonhos em que você corre, corre e não sai do lugar. Hum. Acho que eu estou confundindo a mim mesma. Ignorem.

Neste final de semana eu fui na casa da Stephanie, a minha amiga alemã, e a gente cozinhou junto e foi legal, que eu descobri que o Bruno ensinou ela a fazer arroz brasileiro, e ela fez o arroz, então, com alho e cebola, ao invés de arroz japonês. Eu levei uma abóbora já cavada bonitinha pra casa dela e botei no forno enquanto a gente descascava os camarões. Eu cheguei meio tarde no caminhão que vende frutos do mar e os camarões limpos já tinham acabado. Ela não tinha feito isso nunca na vida, mas ela é médica (cirurgiã), e acho que isso aumenta a tolerância a nojeiras consideravelmente. Eu falei pra ela tirar a tripinha e ela nem fez cara feia. Na verdade, ela pegava os camarõezinhos, um em cada mão, e ficava fazendo um conversar com o outro: "you've lost your head" e "you've got no guts".

Resultado: camarão na moranga com ricota e parmesão porque catupiry não existe aqui, com arroz e vinho de Margaret River. Ela disse que foi uma das melhores comidas que já comeu, de todas; mas eu acho que ela já tinha bebido um pouco de vinho demais. Tava bem gostoso, mas não entra no top 10. Tenho que fazer o frango nas natas pra ela ver o que é comida! Ha!

Aí a gente viu um filme de comédia inglesa chamado Hot Fuzz que é muito, mas muito engraçado. Isso tomando sorvete. Era sábado. De sábado e domingo pode! Eu dormi no meu quartinho de hóspedes e no domingo a gente foi junto buscar o Bruno no aeroporto, que estava voltando do Brasil. Ou, como ele diz, do Brasa.

Aí no domingo a gente foi no mercado, limpou a casa e tal. Eu fui pra minha casa tentar consertar a torneira da pia do banheiro, e sei lá como, acabei quebrando a descarga. Tive que chamar o dono da casa pra consertar, e ele veio na terça, tá tudo certo agora.

Fora isso, cluster roots. Muito cluster root pra eu separar! Uma foto deles aí.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Salva-vidas

Nem contei, né? Sexta-feira passada eu fiz uma prova para ser salva-vidas de piscina. Porque nessa categoria não é preciso correr, enquanto que os salva-vidas de praia precisam correr. Me inscrevi para o próximo curso que houvesse em Outubro ou Novembro, e aí fiquei esperando.

Na semana passada recebi um email que dizia que o curso seria na sexta. Mais nada. Investiguei na internet e o que eu encontrei é que eu precisaria nadar 400m em menos de 8 minutos e fazer o curso de CPR (ressucitação). OK, eu pensei. Vou lá.

Cheguei e descobri que era o dia todinho para isso. Primeiro tivemos aulas teóricas sobre ressucitação e emergência, depois a gente teve que treinar a ressucitação em bonecos e com os nossos coleguinhas. Eu estava pareada com a Jess, que não parava de dar risada quando eu tentava ressucitar ela.

Depois fomos para a piscina para o treino de rebocagem. Primeiro uma parte teórica, de qual é o melhor jeito de rebocar a pessoa em cada tipo de acidente (se ela está consciente ou não, se te ajuda ou tenta se agarrar em você, se está machucada e tal), e aí toca todo mundo se rebocar. Eu tive que nadar 100 metros sozinha e depois rebocar a Jess por 100 metros. Por mais leve que uma pessoa seja dentro d'água, quando você está com um braço ocupado segurando um peso morto, nadar fica bem complicado, e da primeira vez eu falhei completamente, mas ganhei uma segunda chance e aí completei a prova em 2 min45. O limite é 3min15. Por pouco.

Aí a gente teve a prova de ressucitação, com uma encenação bizarra, e eu passei, e depois a prova da piscina, que não era o que eu li na internet. A gente tinha que nadar 400 metros, sim, mas 100 livre, 100 peito, 100 costas estilo "survival" (que eu nunca tinha ouvido falar), e 100 de lado! Isso mesmo, de lado! Fui a última a completar a prova, se bem que eu acho que eu nadei 50 metros a mais por tosquice minha, porque eu perdi a conta. Mas passei.

Depois veio a última prova, onde as 6 pessoas novas (inclui eu) tinham que salvar 25 pessoas fingindo de afogadas numa aula de hidroginástica. Foi legal que eu fui a única pessoa a pensar que ninguém se afoga em aula de hidroginástica, e que todos afogados de uma vez devia ser por eletrocução, então eu desliguei o rádio imaginário da tomada imaginária e impedi que todos os salva-vidas de mentirinha morressem também. Isso foi bom, ganhei pontos, mas aí eu entrei no desespero total, porque tinha várias pessoas com a cabeça virada pra baixo e eu fui salvar elas primeiro, quando elas deveriam ter ficado por último.

Então por isso eu não sei se eu passei, mas foi muito legal fazer o curso de qualquer forma, e eu aprendi um monte de coisa. Se eu passar, acho que vou comprar um maiô vermelho em comemoração! Hahaha!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Jogo no Domingo


Ontem fui no estádio ver um jogo de Aussie Rules, Futebol australiano. É mais ou menos assim: pode chutar, pode passar, pode correr segurando a bola (mas não muito, senão tem que pingar a bola no chão), e pode machucar um pouco os jogadores do outro time. Mas não muito, porque ninguém usa capacete e roupa almofadada que nem futebol americano.

Gol no meio das traves menores vale 6 e nas traves maiores vale 1 ponto. E tem ponto à beça no jogo! Por isso acho que é muito divertido.

Assisti Fremantle vs. Geelong (Fremantle é um dos times locais e Geelong foi o campeão no campeonato do ano passado). Foi um jogo super apertado, ponto a ponto, e aí no 3o. tempo o Geelong foi ganhando mais diferença e aí chegou a ter 21 pontos a mais, mas no 4o. (e último tempo), Fremantle virou e ganhou. Na foto dá pra ver o jogador do Fremantle com um pouco de medo do Geelong... Ganhamos por pouco! Todo mundo vibrando muito! No meio da emoção toda ao invés de gritar em inglês eu acabava gritando em português mesmo: VAAAAAI, CORRE e AAAEEEEEE!!!!!

Foi super legal, eu assisti da segunda fileira, e todo mundo fica sentadinho, bonitinho, e só abanam as bandeiras quando tem ponto. Ah, e outra coisa: os torcedores ficam completamente misturados, lado a lado, sem briga, sem problemas. Só os jogadores que brigam, ficam se empurrando no chão e se dando ombrada. Testosterona... Teve um até que foi segurar o outro pela camiseta (coisa que não pode) e segurou tanto que rasgou a camiseta do infeliz. Aí a torcida ficou fazendo fiu-fiu! Hahaha!

Virei fã de footie. Mas acho que vou torcer para os Eagles, que o uniforme deles é mais bonito :)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Páscoa

A Páscoa é mais ou menos que nem o Natal pra mim, só que sem os presentes... Eu sei que todo mundo da família aí no Brasil tá junto, curtindo, e eu não. Só faltou a Mariana... E a maioria das pessoas aqui também encontra com os amigos ou vai viajar e os estrangeiros ficam se sentindo mais estrangeiros.

Sexta eu tive que trabalhar na faculdade (mas é porque eu estava sendo paga extra, então achei legal!), e depois fui aprender a cozinhar comida indiana com a Parwinder, que, naturalmente, é indiana. Depois de cozinhar e jantar, a gente viu Shutter Island na casa dela mesmo. Pirata. Foi bem legal.

Felizmente, assim como no Natal, a Annaliese me ligou na sexta-feira me dizendo que iam rolar umas coisas de família e que era pra eu ir junto. No sábado eu fui visitar a sobrinha dela, que está com duas semanas, e aí fiquei lá conversando com ela, as irmãs dela, a prima de 14 anos dela que é revoltada e fuma e bebe e usa mais maquiagem que a Hebe e vendo todo mundo feliz com o bebê. Foi bom também, fiquei sentindo como se fosse uma prática para a Ervilha.

Domingo eu fiquei em casa, reguei as plantas, vi que tem uma beringela nascendo e aí fui ver tv, não tinha nada bom, comi um sanduíche, enrolei, enrolei mais, fiz origami, fiquei achando que eu devia passear ou fazer alguma coisa, mas as ruas estavam desertas e eu preferi ficar em casa.

Aí segunda-feira é que foi super legal. Fui na casa do pai da Anneliese para um brunch de páscoa, e ganhei ovo e tudo! A família dela me apresenta para quem ainda não me conhece como: esta é a Mariana, ela fica com a gente. Me senti muito bem. A nuvem negra está indo embora.

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