terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Espelho

Vou começar do começo.

Quando eu cheguei aqui na Austrália depois de ter ficado 8 meses no Brasil, eu me hospedei na casa do Bruno e da Ana, por duas semanas, até eu encontrar um apartamento pra mim. Foi super bom, pois é horrível ter que escolher alguma coisa pela internet e quando você chega no lugar nunca é a mesma coisa...

Enfim, estava indo olhar os apartamentos, bem horríveis e bem caros, e um dia veio a Sharron jantar com a gente na casa do Bruno e ela falou que ela estava indo para a Alemanha, e que ia vagar o apartamento dela, pra eu ir lá olhar.

Acabou sendo o arranjo ideal, pois ela não queria se desfazer dos móveis e das coisas dela, e eu consegui um apartamento totalmente mobiliado, com pratos e garfos e facas e panela e TUDO nas gavetas, prontíssimo pra morar. Só que o apartamento é antigo.

Depois de mais de um ano morando lá, os "só que" foram aumentando aos poucos. Logo no início eu pintei a cozinha, que era nojenta. Quando a mãe e o pai vieram me visitar, a gente também pintou a lavanderia e o banheiro. Eu reorganizei todos os móveis do jeito que me agrada mais e coloquei uma mesa e cadeiras decentes na cozinha. Agora estou terminando de lixar um móvel que ficava na lavanderia (só pra me lembrar o quanto eu ODEIO lixar móveis); e o Troy está fazendo a reforma no banheiro; trocou a caixa da descarga e vai trocar a pia e reazulejar um pedaço.

A casa está definitivamente ficando mais com a minha cara, apesar de eu ter que continuar com todas as coisas da Sharron lá, visto que eu não posso jogar o que não é meu no lixo e também porque se eu ligar pra ela pra devolver tudo, eu também ficarei automaticamente sem geladeira, máquina de lavar, cama, armários...

Whatever. Isso dá pra aguentar numa boa. O que não dava pra aguentar mais era o espelho da sala. Imaginem isso: você abre a porta da sala e dá de cara com um espelho redondo, de 90cm de diâmetro, parafusado na parede e jateado com o desenho de (!) uma cesta de rosas que tinham um colorido desbotado pelo passar dos últimos 40 anos. Horrível. Simplesmente horrível.

Meu plano inicial era comprar um quadro maior que 90x90cm e botar por cima, e nunca mais pensar naquele espelho. Mas é surpreendentemente difícil achar um quadro de mais de 90x90cm que eu possa pagar, e o tempo foi passando, passando e o espelho continuava lá.

Ontem o Troy foi jantar em casa e a gente sentou na sala (agora que a cozinha virou o depósito de ferramentas por causa do móvel que ainda está sendo lixado e da reforma no banheiro), e antes mesmo de comer o frango tandoori que eu preparei pra gente, ele levantou, pegou umas chaves de fenda e alicate, subiu no sofá e começou a desparafusar.

O espelho foi removido com muita facilidade, mas aí a gente descobriu outra coisa: não só uma pessoa, mas duas, foram capazes de pintar a parede sem tirar o espelho. Atrás do espelho tinha uma rebarbinha de tinta azul royal, a última cor que aquela sala viu antes do atual bege neutro e são; dó que por trás disso é que está o mais terrível rosa-patê/vômito de molho rosê que qualquer pessoa já viu na vida. É, oficialmente, declarado por mim, a pior cor do mundo. É pior do que Flict.

Tiramos uma lasca da parede pra ir na loja de tinta e pedir para eles encontrarem a cor mais parecida com a atual, pra poder pintar só uma das 4 paredes, e espero que isso seja feito o mais rápido possível. Aquela cor é capaz de causar pesadelos, e se você olhar demais para ela, possivelmente suicídio.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Natação!

Ah, nada como uma piscina no verão! Semana passada fez acima de 30oC todos os dias da semana aqui em Perth, e eu realmente me sinto bem melhor quando vou nadar.

Eu estava usando a piscina da faculdade mesmo, na hora do almoço, que é o horário aberto pra qualquer um, mas agora que a minha anuidade da academia venceu, resolvi me inscrever pro time de natação. Acho que eu vou frequentar bem mais do que a academia...

Fui só em dois treinos, e o Taku, o instrutor japinha de 1,50m passa entre 2 e 3km por sessão de uma hora. É de matar! Na terça-feira eu fiquei tão cansada durante o treino que até me deu uma ansiazinha. Hoje não foi tão ruim, a gente nadou menos também, mas só faltou o ar umas vezes, nada de dores horrendas.

Já voltei também à minha forma antiga de comer feito um montro por causa da natação. Sei lá por quê, mas nos dias que eu nado eu tenho fome constante. Espero não acabar engordando por causa disso!

Depois da aula hoje as outras meninas (acho que a aula é mista, mas calhou de só ter meninas) queriam ir tomar café da manhã juntas e eu fui com elas. Tinha que ir trabalhar no laboratório, mas eu achei que valia a pena fazer amizade com elas. Eu fui sacar dinheiro primeiro e quando cheguei lá pedi um café com leite e torradas (9 dólares, obrigada - aaaaah!) e quando a comida toda chegou percebi que não sou só eu que como feito monstro! Meu, a Shan, que deve medir 1,70 e pesar não mais que 55kg mandou ver duas torradas (as quais ela besuntou de manteiga), uma montanha de ovos e bacon e espinafre e cogumelos. E o café, claro. TODAS elas comeram um super café assim, menos eu. Fiquei me sentindo uma florzinha ali!

Foi bem legal, espero que seja um grupo bom de amigas. No meio da conversa descobri que uma delas é na verdade a organizadora das aulas de natação e ela me perguntou se eu não quero dar aulas para as crianças. É de se pensar. Posso trocar um dos meus trabalhos por isso.

Logo mais, Mariana no bronze do UV!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rottnest 2011

A minha foto do blog, com o quokkinha, foi tirada ano passado em Rottnest, onde a gente vai todo ano com todo mundo da faculdade, professores e tudo, pra ter um mini-congresso do nosso departamento, conhecer os alunos novos e fazer um social.

Este ano eu acabei sendo uma das organizadoras-mor do evento, com a Dini. Eu não queria, inicialmente, mas aí a Eli me falou que ela realmente não podia e a Dini só ajudaria se eu participasse e tal e eu acabei aceitando. Resolvi facilitar as coisas e fazer tudo de forma super simples, eficiencia total. Não consegui.

Praticamente a cada dois dias eu tenho que ter uma reunião de duas horas sobre assuntos inúteis que não levam a lugar algum. O Hans me pede alguma coisa, eu tenho que pedir para a pessoa encarregada, porque eu não posso dar um toco nas pessoas que resolveram ser voluntários; mas aí ninguém faz m*** nenhuma e eu tenho que fazer eu mesma uma semana depois com cara de idiota por ter atrasado tudo.

Aaaargh! Devia seguir os meus instintos e continuar mofando no meu sofázinho, ou me enterrar num buraco! Às vezes eu realmente odeio pessoas em geral.

domingo, 21 de novembro de 2010

Pequenas coisas




Facas que cortam.
Óculos de sol.
Talheres de metal ao invés da colher-garfo de plástico de fast-food.
Ar-condicionado no carro.
Descarga que funciona e enche de novo em 1 minuto ao invés de 10.

Aí a foto da descarga nova e do buraco que ficou na parede (por enquanto, a gente vai consertar ao longo desta semana). Isso melhora muito a vida!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Marreta+banheiro

Ontem eu terminei o meu dia de digestões das minhas amostras em ácido e diluições meio acabada, e ainda tive que ir depois comprar uma lanterna nova para o meu carro antes que a polícia me parasse por isso. Aí eu fui pra casa com vontade de me enterrar no meio das cobertas e ficar lá, quietinha, no escurinho.

Mas o Troy foi lá em casa encontrar comigo e ele chegou, comeu umas bolachinhas, olhou pra mim e perguntou: e aí, o que a gente vai fazer? A resposta que eu tinha em mente era: Ahmmm, nada!, mas eu acabei decidindo que fazer alguma coisa era melhor que mofar e me sentir mal.

Eu sugeri ir ao parque e tentar jogar bola australiana (daquelas bolas pontudinhas), porque eu comprei uma pra brincar e ainda não estreei ela.

A sugestão dele foi um pouco mais radical: ligar para o Mr Ian, dono da casa onde eu moro, e perguntar se tudo bem reformar o banheiro. Mr Ian disse que tudo bem e então a gente entrou lá pra quebrar tudo. Tá, não quebramos tudo (ainda) mas conseguimos arrancar a descarga antiga de cordinha e instalar uma nova, normal.

Foi bom. É bom quebrar coisas quando se está sentindo mal. Melhor ainda se elas forem substituídas por coisas melhores.

Colocarei uma foto amanhã, depois de limpar tudo. E depois eu também vou trocar a pia e a gente vai ter que reazulejar um pedaço, e provavelmente estender o piso do banheiro para a lavanderia também. Tudo nós mesmos. Depois de trabalhar e no final de semana. Como diria a Carol, descanso de pobre é carregar pedra.

No final das contas, marreta + banheiro = :)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Jantar "australiano" e hipno-Chutney


A Letícia e o Danilo são amigos meus do Brasil que ficaram morando na minha casa aqui da Austrália enquanto eu estava no Brasil, e nesse período, o Troy conheceu eles e eles prepararam um jantar brasileiro pra ele.

Em troca, o Troy convidou-os (mais o Hally) pra ir jantar na casa dele, e a comida "australiana" da noite foi curry verde e curry vermelho tailandês. O pior é que é, de fato, algo bastante comum aqui na Austrália.

Enfim, o jantar estava ótimo, a noite foi ótima e depois de conversar bastante dentro de casa, a gente foi pro quintal e ficou conversando lá. O verão está chegando.

Mas o destaque da noite, mesmo, foi para a Letícia e a Chutney (a coelha), que ficaram no maior amor, e a Chutney inclusive ficou no colo o tempo todo e adorou o carinho, coisa que a gente nunca tinha visto nessa coelha hiperativa.

Aí está a foto provando que a Chutney tava curtindo um carinho de barriga pra cima!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Kite extravaganza




No sábado eu fui com as minhas amigas Nadia e Eli, e mais os meninos associados a elas, para uma praça de frente pro mar em Fremantle para um evento que se chama Kite Extravaganza. Foi um evento programado para empinar pipa. Pena que o Troy estava trabalhando...

Eu, a Nadia e a Eli ficamos super empolgadas e eu fui na maior loja de suprimentos artísticos e tranqueiras para comprar papel, cola, varetas e linha. A loja tinha tudo, menos as varetas. Procurei em mais um lugar, e nada, então a gente teve que comprar uma pipa pronta mesmo. Compramos duas do mesmo modelo, o mais simples possível, um losango de plástico fininho com uma rabiolinha de nada.

Fomos lá e levamos um piquenique também. A Nadia, o Davis, a Eli, o Paddy e o Simon (irmão do David) ficaram tentando sem sucesso algum fazer a pipa voar. O David, depois de uma meia hora de tentativas, quebrou uma das pipas. Aí eu resolvi que eu é que ia tentar e no terceiro puxão, ela foi láááá pro céu e foi uma das primeiras a se estabelecer.

Bem, como aqui não tem cerol, depois de soltar um monte de linha, eu sentei, pisei em cima do rolo de linha e comi o meu piquenique. Foi a empinação de pipa mais passiva da minha vida. Nem o vento violento estava fazendo nada. Tinha gente embaralhando fios, enroscando na árvore e tal, e a minha pipa lá longe, preguiçosa, não fazendo nada.

Depois de um tempo foram chegando mais pessoas e coitadas das crianças cujos pais compraram as pipas mais caras e estrambólicas, porque elas eram muito pesadas e difíceis de empinar também. Tinha uns modelos bem bonitos: morcegos, peixes, pássaros, aviões, barcos, asa deltinha, para-quedinhas, dragão e muito mais. Mas foi o par de pernas (foto) que roubou totalmente a atenção de todo mundo! Pipa de pernas! Demais!

Pra terminar o dia, fui tomar um sorvete.

Fiquei com saudades do Fábio, Ri, Rê, Fê e Van, lá no quintal da casa da vó, fazendo pipa e amarrando pedacinhos de saco de lixo pra rabiola.

Estou determinada a encontrar as varetas e fazer uma pipa própria. Aí vou empinar no parque perto de casa e treinar umas manobras :)

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