Hoje eu pensei bastante. Até estou com dor de cabeça para provar isso, não que ninguém tenha como confirmar a dor de cabeça, nem que seja necessariamente causa e consequência, mas enfim...
De manhã fui pegar um jogo de panelas que me prometeram, e foi bom, porque elas estão em melhor estado do que as que eu vinha usando até agora. Infelizmente não tinha nenhuma frigideira pequena, mas tudo bem, eu posso continuar fritando um ovo na frigideira em que cabem 10 ovos. Muquiranice é um estilo de vida que eu adotei há algum tempo, não porque eu queira guardar o meu dinheiro numa caixa debaixo da cama para sempre, mas porque não vejo muito sentido em gastar dinheiro numa coisa supérflua que não vai facilitar a minha vida ou me deixar mais contente. Tá, já estou perdendo o rumo da conversa.
Depois de pegar as panelas, vim para a faculdade e li dois artigos; isso antes do intervalo do café. É um feito em tanto, porque é realmente muito difícil se concentrar em ler a mesma coisa escrita por trezentas pessoas diferentes. Acho que uma parte interessante, para mim, é tentar ver sob a perspectiva histórica. Agora tenho lido vários artigos dos anos 70 e 80, e eu fico pensando nos pesquisadores escrevendo as idéias deles em papel ao invés do computador. Eu me divirto bastante com isso. Eles liam as revistas científicas em papel e mandavam cartas para os demais pesquisadores. Quem sabe passavam um fax, se o departamento fosse rico... Os trabalhos eram mais de reflexão do que de análises malucas, embora alguns autores tenham criado fórmulas esdrúxulas só para serem diferentes.
No café o Matt levou flapjacks (aveia, manteiga e açúcar em forma de barra de cereal) e gingerbread (bolo de temperos variados) para a despedida do Ravi, que está voltando para a Índia. O Matt é um cara de uns 35 anos, casado e com dois filhos, que é super legal e engraçado e tranquilo e adora fazer bolos. É uma coisa rara, acho. A esposa dele reclama porque ele faz ela engordar, mas eu acho legal, que a gente fica conversando praticamente diariamente sobre receitas e ingredientes especiais. Ele me prometeu um bolo de natal que é feito com um mês de antecedência. Espero que ele se lembre, está mais ou menos na hora de começar :)
Aí teve uma palestra muito legal sobre seleção de variedades de plantas ao longo dos últimos 10mil anos. Basicamente, sobre como os homens caçadores-coletores mudaram para agricultores. Muito, mas muito interessante. Aí meio que eu passei o resto do dia com isso na cabeça, tentando trabalhar com as minhas coisas, mas pensando nisso ao mesmo tempo, o que não ajudou muito. Ao invés de pensar nos pesquisadores dos anos 70 eu fiquei pensando nos homens e mulheres do passado mais distante, escolhendo milho e plantando, discutindo de noite, no jantar, se eles continuariam migrando e procurando comida ou se ficariam ali para plantar dessa vez. Sei lá, alguém tem que ter tomado a decisão e falado para os outros, e eu tenho praticamente certeza que eles fizeram isso durante o jantar. Se bem que eles deviam jantar mais cedo para aproveitar melhor a luz do dia...
Aí eles ficaram, plantaram e tiveram mais comida a cada ano. Passaram a andar menos, a cultivar animais também, que passaram a fazer boa parte do trabalho físico. Aí as pessoas tinham mais pra comer e menos trabalho braçal, e resolveram pensar e fazer artesanato. E aí foi indo até que chega o dia em que eu passo o dia pensando sobre eles. E decidida a pensar e comer menos e me exercitar mais.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
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Mari, eu penso nos homens da caverna, apertados, com cheiro de fumaça, com medo dos animais,à noite pensando no que vão comer no café da manhã. Café??, não, carne e frutas quase ou semi podres. Então agradeço aos inventores do circuito de refrigeração, que possibilitaram a construção das geladeiras e do AR condicionado. Que maravilha.
ResponderExcluirSim penso também neles como você, plantando, levando sementes para outros lugares, passando frio, e mudando o mundo de lugar. Mas penso também se realmenbte um deles voltasse hoje ao mundo e tomasse um sorvete, um hamburger, uma coca cola, uma dose de whisky. Qual seria a reação dêle??
João Antonio
Oi Mari, tudo jóia?
ResponderExcluirFaz tempo que não deixo um comentário aqui pra vc, né? É que estou trabalhando bastante e a vida corrida pra caramba como sempre... Viva o desenvolvimento, a tecnologia e tudo mais que o tempo e boas cabeças pensantes possam ter feito pra facilitar nossas vidas ( e a deles claro...)
Ah! Obrigada pelo cartão, as crianças adoraram o cartão e acharam muito chique receber algo de tão longe, ainda mais de fora do Brasil... pra
eles foi a primeira vez...
Bom, é isso. um beijo pra vc e até o próximo comentário. Bia