Estou falando de comida, de paladar. Eu tive alguns momentos na minha vida em que mudei bastante a minha opinião sobre alguns alimentos, e apesar de ter algumas coisas, como ostras e mariscos que eu nem experimento por causa do aspecto melequento que me lembra as aulas de invertebrados na faculdade, eu passei a comer as coisas que antes eu não gostava, de um dia para o outro.
Primeiro foram as peras. Achava elas meio estranhas, que nem maçã farinhenta, sem contar que elas escorrem quando você morde e isso pra mim não era legal. Depois de não comer peras por muitos anos, eu vi o filme Cidade dos Anjos (citando Hemingway) e resolvi experimentar de novo. Gostei. Hoje é uma das frutas que eu mais como.
Acompanhando outra referência literária, eu passei a comer berinjela. Berinjela é estranho. A cor é estranha, a textura é estranha e quando você corta ela faz barulho de borracha. Muito estranho. Mas assim como a personagem do Garcia Márquez, um dia eu não gostava e no dia seguinte eu passei a adorar berinjela. Simples assim.
Mas frutas e legumes não são nada que choca muito, né? Pois é, para surpresa geral (e provavelmente maior da minha mãe), eu passei a querer comer muita carne, e pior, eu tenho tido vontade de manusear a carne crua. Só a idéia teria feito eu me contorcer anteriormente, mas eu estou lotada de carne no congelador e toda vez que eu vou ao mercado agora, eu passo no açougue e fico olhando as carnes, e acabo sempre comprando mais alguma coisa... Resolvi escrever sobre isso hoje porque ontem eu cruzei mais uma linha: comprei um coelho. Inteiro. Acho que nunca comi coelho na vida, e não tenho a menor idéia de como cozinhar ou do gosto, mas eu encostei no balcão, pensei: coelho! E pedi. Nem tinha na vitrine, mas o cara tinha um coelho congelado, de um kilo.
Tá, sinto muito pelos meus amigos que, ao ler isso, estão se sentindo como eu teria me sentindo um mês atrás, mas sei lá, porque é que todo mundo acha normal comer frango, vaca e porco, mas coelho ou canguru não pode? Só porque eles são mais bonitinhos?
É provável que essa fase passe também, mas por enquanto, preciso investigar cortes e carnes diferentes e aprender a temperar e cozinhar o que antes eu só comeria se viesse pronto.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
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Oi Mari,
ResponderExcluirA vida está cheio de surpresas. Um dia a gente gosta de algo e desgosta de outros, e ali na frente a gente muda. É humano.
Mas não assista ou leia nenhum filme/livro de cachaceiro, pois não quero que você tenha esse aprendizado.
Não se espelhe muito nos grandes escritores, pois eles também, apesar de serem excelentes escritores fizeram grande bobagens.
Não siga muito os passos do pai, pois poderá ficar meio doida de trabalho, e possivel avc, etc... Eu não mudo, mesmo tentando.
João Antonio
sou super a favor de experimentar o coelho!
ResponderExcluiressa coisa de que bicho pode comer é muito cultural mesmo. cerca de um mês atrás fecharam um matadouro de cachorro em sp, os caras forneciam pros coreanos. acho que eu não comeria, mas eu acho uma hipocrisia besta as pessoas ficarem muito chocadas porque os caras comem cachorro, sendo que a gente come vaca, e carneiros bebês (sim, os bebês são mais macios), e franguinhos precoces. fora as plantinhas, pobrezinhas, ninguém tem pena dos pezinhos de alface, tão fofinhos!
e viva a ornivoria!
depois me diz se é bom, coelho eu tb nunca comi.....
Depois quero saber se coelho é bom.
ResponderExcluirAbaixo o preconceito!! Olha, depois de comer várias vezes no Chi Fu, acho que hoje posso dizer que não tenho preconceito de mais nada. Experimento primeiro, digo se gosto ou não depois.
Mas o que me deixou realmente perplexa foi saber que vc passou do "detestar" para o "querer cada vez mais". Intrigante!
Hum... eu não achei surpreendente. Vc sempre tá mudando de idéia... rsrsrs
ResponderExcluirSabe que eu tb comi muitas peras depois de ver este filme?
beijos, Lori
Eu como chinchilas...Elas são gostosas...mais gostoso que coelho!!!hhehe
ResponderExcluirBeijão Mari