Não sei se eu comentei em algum canto, mas uma das minhas resoluções deste ano é de cozinhar mais receitas novas. Fiquei pensando na quantidade de livros de receitas que eu tenho e nos programas de tv que eu vejo e no fim das contas, eu sempre acabo fazendo o que é mais fácil, o que eu sei que dá certo.
Por enquanto tem ido super bem, mesmo que a "receita" seja só modificar um tempero, eu estou inventando mais na cozinha. Estou inclusive experimentando com alguns ingredientes que eu nunca tentaria usar antes, como lula, por exemplo. E às vezes eu compro alguma coisa diferente pra cozinhar ao redor dela ou compro batatas e digo que eu prometo (e cumpro!) usar as batatas de forma nunca antes testada.
Mas o texto de hoje não é sobre isso. É sobre dois outros jantares, onde eu não cozinhei.
O primeiro foi no sábado passado, eu e o Troy resolvemos destruir a conta bancária indo num restaurante que eu acho que está no top 5 daqui de Perth, e é onde a irmã dele é chef. Ela não estava trabalhando lá no dia em que a gente foi, infelizmente, mas ela deixou os outros chefs avisados e do momento em que a gente pisou lá até sairmos, fomos incrivelmente bem servidos, e pra falar a verdade, não escolhemos praticamente nada do que comemos e bebemos, a não ser pelo prato principal.
O menu foi assim:
Ao chegar, sentamos no bar, e o Troy pediu uma taça de champanhe pra ele e eu tomei um drinque delicioso chamado Faulty Tower (com manjericão). Aí eles trouxeram um prato com presunto parma e parmesão e rúcula baby, sem nem perguntar nada. Quando a gente terminou essa entrada, sem pedir nada de novo, o garçom apareceu com uma outra entrada, com quatro tipos de comidas pequenininhas, uma era tipo um bolinho de carne super chique, uma tâmara recheada de patê (tá, isso eu achei meio estranho), um falafel e um bolinho de bacalhau. Tudo com a melhor apresentação e tempero do mundo.
Achei que as surpresas ficariam por aí, mas não! Em seguida trouxeram vieiras; cada uma sentadinha em um purê em uma colher de sopa. Duas com purê de batata e duas com purê de abacate.
Mudamos do bar para a mesa de jantar e eu já estava bem satisfeita. O Derek, o garçom, trouxe então uma terrine de carne co codorna. É carne moída crua com uma gema de codorna em cima e você mistura tudo e come com Lavosh, tipo uma torrada. Eu já tinha comido kibe cru várias vezes, mas essa terrine superou muito a minha expectativa. O tempero de tudo era maravilhoso!
Aí escolhemos os pratos principais; o Troy pediu um peixe com trigo temperado e vagem, que estava bom, mas não delicioso como o meu peito de pato no molho madeira servido com um ravioli de perna de pato assada. Mmmm! Sem dúvida entre as melhores coisas que eu já comi na vida!
Eu não queria mais nada depois disso, mas o Troy pediu uma sobremesa para mim; uma torta de maracujá com cobertura crocante de figo e mais várias coisinhas boas no prato. Eu quase morri de tanta comida boa! E pra cada coisa, o Derek trazia também um vinho especial para acompanhar, e um vinho licorado no fim de tudo.
Achei que eu ia deixar o meu carro lá para pagar, mas eles cobraram tudo errado da gente, de propósito. Eles "esqueceram" todas as entradas e metade das bebidas da conta. Foi muito, muito legal fazer um programa assim, especial.
O outro jantar do qual eu quero falar foi ontem, com Letícia, Danilo, Bruno, eu e o Troy na minha casa. Eu dei aula até as 6 da tarde e aí fui buscar a Letícia e o Danilo e o Bruno encontrou a gente em casa. Quando eu cheguei lá, o Troy já tinha organizado tudo para cozinhar (tudo picado e temperado e pronto pra botar no fogo, e aí a gente ficou batendo papo e ele mesmo cozinhou. Purê de batata com alho, cebola e bacon fritinhos, verduras estilo oriental (com molho de ostra e shoyu e pimenta) e cordeiro com cominho e iogurte (um corte que chama cutlet, e parece uma costelinha com uma bolinha de carne associada). Foi uma delícia; eu nem tive que fazer nada, porque depois do Troy cozinhar tudo, a Letícia lavou toda a louça! Ah, e sorvete de sobremesa! Mmmm!
Então é isso. Chega de descrições gastronômicas. Acho que dá pra todo mundo perceber que eu estou me alimentando bem por aqui :)
Beijos!
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Rottnest nunca mais
Voltei de Rottnest na quarta, correu tudo bem, apesar de eu ter tido que aguentar 80 adultos se comportando como crianças por quatro dias. Eu cansei de verdade lá, quando tinha 5 minutos para mim mesma eu saía andando até longe, sentava na grama e ficava quietinha, esperando que ninguém me encontrasse ou mandasse mensagem no celular.
O congresso foi bem, o alojamento e a comida deram trabalho para mim e as demais 4 meninas que estavam no comitê ajudando também, e eu insisto em dizer que tudo poderia ser muito fácil.
Mas não foi, e quando eu voltei, levou mais ou menos 10 minutos para eu ficar doente. Tive que vir para a faculdade na quinta-feira para trabalhar e na sexta fiquei aqui só por umas três ou quatro horas. Estava mal mesmo.
Hoje estou melhor, bem o suficiente para fazer o meu relatório do CNPq :P
As coisas boas foram:
1. Encontrei meu quokka. Ele se manifestou para mim tentando entrar na minha bagagem quando a gente estava prestes a voltar
2. Ganhei o prêmio por melhor mediadora de palestras. Tá, o prêmio é uma camiseta da faculdade, mas vem com um certificadinho também
3. Quando voltei, a Sharron combinou comigo de tirar tudo o que é dela lá de casa, abrindo espaço para que eu tenha as minhas próprias coisas
4. Fui às compras para uma geladeira, máquina de lavar e aspirador de pó. Apesar de poder comprar tudo usado mais baratinho, eu resolvi ser gente grande e comprar tudo novo com garantia e lindo e brilhante.
5. Hoje é o dia dos namorados aqui, e eu estou com estrelinha nos olhos.
Até mais,
Mari
O congresso foi bem, o alojamento e a comida deram trabalho para mim e as demais 4 meninas que estavam no comitê ajudando também, e eu insisto em dizer que tudo poderia ser muito fácil.
Mas não foi, e quando eu voltei, levou mais ou menos 10 minutos para eu ficar doente. Tive que vir para a faculdade na quinta-feira para trabalhar e na sexta fiquei aqui só por umas três ou quatro horas. Estava mal mesmo.
Hoje estou melhor, bem o suficiente para fazer o meu relatório do CNPq :P
As coisas boas foram:
1. Encontrei meu quokka. Ele se manifestou para mim tentando entrar na minha bagagem quando a gente estava prestes a voltar
2. Ganhei o prêmio por melhor mediadora de palestras. Tá, o prêmio é uma camiseta da faculdade, mas vem com um certificadinho também
3. Quando voltei, a Sharron combinou comigo de tirar tudo o que é dela lá de casa, abrindo espaço para que eu tenha as minhas próprias coisas
4. Fui às compras para uma geladeira, máquina de lavar e aspirador de pó. Apesar de poder comprar tudo usado mais baratinho, eu resolvi ser gente grande e comprar tudo novo com garantia e lindo e brilhante.
5. Hoje é o dia dos namorados aqui, e eu estou com estrelinha nos olhos.
Até mais,
Mari
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
1 ano de namoro Mariana-Quokka
Neste final de semana vai fazer um ano que eu quase dei um beijo no Quokka da foto-tema do meu blog. Mais uma vez haverá o Congresso em Rottnest, e eu espero diferenciar o MEU Quokka de todos os outros demais 10.000 (estimativa no site OzAnimals).
Fora isso, eu estarei meio em pânico, meio com ódio de todo mundo, meio mandando o congresso à merda, pois sou a organizadora, e como não fiz mais nada além de responder as mesmas perguntas para os 100 alunos participantes porque ninguém lê as instruções desde o início do ano; quer dizer, não só isso, eu também tenho que arranjar de alimentar toda essa galera, inclusive os vegetarianos, os Halal, os intolerantes a gluten e todos os alérgicos a uma coisa ou outra.
Não foi divertido, eu sabia que não seria, mas eu fui "voluntariada" e não tive muita escolha.
Bom, domingo nós partimos e voltamos na quarta. Espero que uma vez lá, seja mais tranquilo e espero que eu pare de reclamar tanto também, porque eu estou ficando irritada comigo mesma.
Aaahhhh, os horrores de conviver consigo próprio a vida toda são demais!
Um abração pra todo mundo aí!
(Apesar de ser a maior chata, eu estou indo bem e está tudo legal por aqui, reforma terminada em casa e peixinhos vão bem e o peixão também!)
Fora isso, eu estarei meio em pânico, meio com ódio de todo mundo, meio mandando o congresso à merda, pois sou a organizadora, e como não fiz mais nada além de responder as mesmas perguntas para os 100 alunos participantes porque ninguém lê as instruções desde o início do ano; quer dizer, não só isso, eu também tenho que arranjar de alimentar toda essa galera, inclusive os vegetarianos, os Halal, os intolerantes a gluten e todos os alérgicos a uma coisa ou outra.
Não foi divertido, eu sabia que não seria, mas eu fui "voluntariada" e não tive muita escolha.
Bom, domingo nós partimos e voltamos na quarta. Espero que uma vez lá, seja mais tranquilo e espero que eu pare de reclamar tanto também, porque eu estou ficando irritada comigo mesma.
Aaahhhh, os horrores de conviver consigo próprio a vida toda são demais!
Um abração pra todo mundo aí!
(Apesar de ser a maior chata, eu estou indo bem e está tudo legal por aqui, reforma terminada em casa e peixinhos vão bem e o peixão também!)
domingo, 30 de janeiro de 2011
Sobre coincidências
Em geral eu penso que coincidências são só cioncidências mesmo, e a gente acha elas tão importantes porque sempre estamos procurando por uma ou outra. Mas vez em quando é difícil pensar que não tem nada por trás disso, nenhum plano ou nenhum sentido.
Hoje eu fui nos correios buscar um pacote. Quando eu não estou em casa, o carteiro leva as entregas de volta pra agência, e aí eu tenho que ir lá com um cartãozinho que ele deixa na minha caixa e busco a entrega. É a desvantagem de não tem alguém em casa o tempo todo para assinar. Enfim, é sempre a maior expectativa, porque eu sei que tem algo, mas não sei o que é.
Hoje busquei um envelope, que era a carta de Natal da mãe e do pai postada em 7 de Dezembro. Fiquei muito feliz, e fez totalmente muito sentido, acho até que mais agora do que se eu tivesse recebido antes.
Aí eu ligo o computador e a Má me mandou uma mensagem que também faz todo o sentido, e eu fiquei mais contente ainda.
Então eu fico pensando que as coisas que aconteceram não são em nada extraordinárias, mas elas ao mesmo tempo são, pois fizeram com que eu me sentisse muito especial. A sensação de olhar pro céu estrelado e se sentir parte da família das estrelas, ou de deitar no chão de casa e achar mais gostoso que na cama, ou ver alguém tomar um sorvete que está vencendo a briga, escorrendo pela mão.
É a nuvem dourada me envolvendo.
Hoje eu fui nos correios buscar um pacote. Quando eu não estou em casa, o carteiro leva as entregas de volta pra agência, e aí eu tenho que ir lá com um cartãozinho que ele deixa na minha caixa e busco a entrega. É a desvantagem de não tem alguém em casa o tempo todo para assinar. Enfim, é sempre a maior expectativa, porque eu sei que tem algo, mas não sei o que é.
Hoje busquei um envelope, que era a carta de Natal da mãe e do pai postada em 7 de Dezembro. Fiquei muito feliz, e fez totalmente muito sentido, acho até que mais agora do que se eu tivesse recebido antes.
Aí eu ligo o computador e a Má me mandou uma mensagem que também faz todo o sentido, e eu fiquei mais contente ainda.
Então eu fico pensando que as coisas que aconteceram não são em nada extraordinárias, mas elas ao mesmo tempo são, pois fizeram com que eu me sentisse muito especial. A sensação de olhar pro céu estrelado e se sentir parte da família das estrelas, ou de deitar no chão de casa e achar mais gostoso que na cama, ou ver alguém tomar um sorvete que está vencendo a briga, escorrendo pela mão.
É a nuvem dourada me envolvendo.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Australia Day
Australia Day se comemora dia 26 de Janeiro e todo ano, neste dia, os australianos comemoram sua australianice jogando footie na beira do rio, fazendo um churrasco de salsicha e bebendo muita cerveja!
Eu fui na casa da Annaliese, como no ano passado, e aproveitei a piscina e o churrasco de salsicha, mas com a desculpa de que estava dirigindo, eu nao entrei na onda da bebedeira, tomei duas cidras e deixei as outras 4 do six-pack na geladeira dela. Foi muito legal porque eu pude aproveitar a sobrinha dela, Kira, de 18 meses, que eu peguei no colo e apertei e tudo o mais, como uma substituta da minha Bea. Sobrinha australiana honorária da minha família honorária.
Aqui, os fogos de artifício da celebração que a minha amiga do laboratório tirou.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Ano novo, vida nova!
Feliz ano novo super atrasado! Ou feliz ano novo chinês (do coelho) meio adiantado!
O blog ficou em coma por um bom tempo, mas agora voltou à atividade, espero que sem sequelas.
Muita coisa aconteceu desde que eu tirei o infame espelho da parede, e acho que em um só post ficaria demais para processar. Teve natal na casa da Skye e da Gail e da Valerie (irmã, mãe e vó do Troy, respectivamente) e também na casa do Rob, pai da minha amiga com quem eu passei os dois últimos natais. Na foto, eu, Troy e Gail.
O ano novo foi a coisa mais xoxa do mundo, mas aí no dia 1 eu fui para o Sudoeste do estado ver a praia e passear e foi muito legal! Fui pra Yallingup e no dia seguinte encontrei com o Troy em Busselton (cuidado com a pronúncia!) e eu visitei uma caverna super legal (foto) e também nadei e remei no mar e depois fui para Margaret River mais uma vez, que me custou um tanto em vinhos, mas valeu muito a pena, tanto como da outra vez.
Aí, de volta para a faculdade, comecei o meu estágio obrigatório de 20 horas para poder dar aulas de natação pra crianças (que eu terminei sexta-feira) e apesar de ser legal e de eu me divertir e também de fazer algo diferente de Biologia o tempo todo, foi exaustivo cumprir 20 horas em duas semanas sendo que eu continuo trabalhando 8 horas por semana no laboratório, vendendo bolo na feira aos domingos, treabalhando na minha tese, que eu comecei a escrever em Janeiro, e também organizando o congresso do Departamento. Ufa!
E como todo bom pobre, no horário livre eu carrego pedra! Ou melhor, reformo a casa. O banheiro está quase terminado (foto), e o armário que era prata e dourado e marrom e bege que eu lixei ficou lindinho (foto) e a parede do espelho agora é unicolo!
No meio de fevereiro a Sharron (que é dona dos móveis na minha casa) vai tirar tudo de lá, e aí eu terei que comprar algumas coisas, tipo uma geladeira e máquina de lavar roupas. A cama, os sofás e a mesa eu já arranjei, e infelizmente eles foram entregues para mim antes da Sharron tirar as coisas dela, e por isso eu estou vivendo no que parece uma loja de móveis de segunda-mão.
Mas logo melhora. E quanto mais coisas eu tiver pra fazer, mais rápido o tempo vai passar.
Prometo atualizar o blog ao menos duas vezes por semana.
Um abração,
Mari
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Espelho
Vou começar do começo.
Quando eu cheguei aqui na Austrália depois de ter ficado 8 meses no Brasil, eu me hospedei na casa do Bruno e da Ana, por duas semanas, até eu encontrar um apartamento pra mim. Foi super bom, pois é horrível ter que escolher alguma coisa pela internet e quando você chega no lugar nunca é a mesma coisa...
Enfim, estava indo olhar os apartamentos, bem horríveis e bem caros, e um dia veio a Sharron jantar com a gente na casa do Bruno e ela falou que ela estava indo para a Alemanha, e que ia vagar o apartamento dela, pra eu ir lá olhar.
Acabou sendo o arranjo ideal, pois ela não queria se desfazer dos móveis e das coisas dela, e eu consegui um apartamento totalmente mobiliado, com pratos e garfos e facas e panela e TUDO nas gavetas, prontíssimo pra morar. Só que o apartamento é antigo.
Depois de mais de um ano morando lá, os "só que" foram aumentando aos poucos. Logo no início eu pintei a cozinha, que era nojenta. Quando a mãe e o pai vieram me visitar, a gente também pintou a lavanderia e o banheiro. Eu reorganizei todos os móveis do jeito que me agrada mais e coloquei uma mesa e cadeiras decentes na cozinha. Agora estou terminando de lixar um móvel que ficava na lavanderia (só pra me lembrar o quanto eu ODEIO lixar móveis); e o Troy está fazendo a reforma no banheiro; trocou a caixa da descarga e vai trocar a pia e reazulejar um pedaço.
A casa está definitivamente ficando mais com a minha cara, apesar de eu ter que continuar com todas as coisas da Sharron lá, visto que eu não posso jogar o que não é meu no lixo e também porque se eu ligar pra ela pra devolver tudo, eu também ficarei automaticamente sem geladeira, máquina de lavar, cama, armários...
Whatever. Isso dá pra aguentar numa boa. O que não dava pra aguentar mais era o espelho da sala. Imaginem isso: você abre a porta da sala e dá de cara com um espelho redondo, de 90cm de diâmetro, parafusado na parede e jateado com o desenho de (!) uma cesta de rosas que tinham um colorido desbotado pelo passar dos últimos 40 anos. Horrível. Simplesmente horrível.
Meu plano inicial era comprar um quadro maior que 90x90cm e botar por cima, e nunca mais pensar naquele espelho. Mas é surpreendentemente difícil achar um quadro de mais de 90x90cm que eu possa pagar, e o tempo foi passando, passando e o espelho continuava lá.
Ontem o Troy foi jantar em casa e a gente sentou na sala (agora que a cozinha virou o depósito de ferramentas por causa do móvel que ainda está sendo lixado e da reforma no banheiro), e antes mesmo de comer o frango tandoori que eu preparei pra gente, ele levantou, pegou umas chaves de fenda e alicate, subiu no sofá e começou a desparafusar.
O espelho foi removido com muita facilidade, mas aí a gente descobriu outra coisa: não só uma pessoa, mas duas, foram capazes de pintar a parede sem tirar o espelho. Atrás do espelho tinha uma rebarbinha de tinta azul royal, a última cor que aquela sala viu antes do atual bege neutro e são; dó que por trás disso é que está o mais terrível rosa-patê/vômito de molho rosê que qualquer pessoa já viu na vida. É, oficialmente, declarado por mim, a pior cor do mundo. É pior do que Flict.
Tiramos uma lasca da parede pra ir na loja de tinta e pedir para eles encontrarem a cor mais parecida com a atual, pra poder pintar só uma das 4 paredes, e espero que isso seja feito o mais rápido possível. Aquela cor é capaz de causar pesadelos, e se você olhar demais para ela, possivelmente suicídio.
Quando eu cheguei aqui na Austrália depois de ter ficado 8 meses no Brasil, eu me hospedei na casa do Bruno e da Ana, por duas semanas, até eu encontrar um apartamento pra mim. Foi super bom, pois é horrível ter que escolher alguma coisa pela internet e quando você chega no lugar nunca é a mesma coisa...
Enfim, estava indo olhar os apartamentos, bem horríveis e bem caros, e um dia veio a Sharron jantar com a gente na casa do Bruno e ela falou que ela estava indo para a Alemanha, e que ia vagar o apartamento dela, pra eu ir lá olhar.
Acabou sendo o arranjo ideal, pois ela não queria se desfazer dos móveis e das coisas dela, e eu consegui um apartamento totalmente mobiliado, com pratos e garfos e facas e panela e TUDO nas gavetas, prontíssimo pra morar. Só que o apartamento é antigo.
Depois de mais de um ano morando lá, os "só que" foram aumentando aos poucos. Logo no início eu pintei a cozinha, que era nojenta. Quando a mãe e o pai vieram me visitar, a gente também pintou a lavanderia e o banheiro. Eu reorganizei todos os móveis do jeito que me agrada mais e coloquei uma mesa e cadeiras decentes na cozinha. Agora estou terminando de lixar um móvel que ficava na lavanderia (só pra me lembrar o quanto eu ODEIO lixar móveis); e o Troy está fazendo a reforma no banheiro; trocou a caixa da descarga e vai trocar a pia e reazulejar um pedaço.
A casa está definitivamente ficando mais com a minha cara, apesar de eu ter que continuar com todas as coisas da Sharron lá, visto que eu não posso jogar o que não é meu no lixo e também porque se eu ligar pra ela pra devolver tudo, eu também ficarei automaticamente sem geladeira, máquina de lavar, cama, armários...
Whatever. Isso dá pra aguentar numa boa. O que não dava pra aguentar mais era o espelho da sala. Imaginem isso: você abre a porta da sala e dá de cara com um espelho redondo, de 90cm de diâmetro, parafusado na parede e jateado com o desenho de (!) uma cesta de rosas que tinham um colorido desbotado pelo passar dos últimos 40 anos. Horrível. Simplesmente horrível.
Meu plano inicial era comprar um quadro maior que 90x90cm e botar por cima, e nunca mais pensar naquele espelho. Mas é surpreendentemente difícil achar um quadro de mais de 90x90cm que eu possa pagar, e o tempo foi passando, passando e o espelho continuava lá.
Ontem o Troy foi jantar em casa e a gente sentou na sala (agora que a cozinha virou o depósito de ferramentas por causa do móvel que ainda está sendo lixado e da reforma no banheiro), e antes mesmo de comer o frango tandoori que eu preparei pra gente, ele levantou, pegou umas chaves de fenda e alicate, subiu no sofá e começou a desparafusar.
O espelho foi removido com muita facilidade, mas aí a gente descobriu outra coisa: não só uma pessoa, mas duas, foram capazes de pintar a parede sem tirar o espelho. Atrás do espelho tinha uma rebarbinha de tinta azul royal, a última cor que aquela sala viu antes do atual bege neutro e são; dó que por trás disso é que está o mais terrível rosa-patê/vômito de molho rosê que qualquer pessoa já viu na vida. É, oficialmente, declarado por mim, a pior cor do mundo. É pior do que Flict.
Tiramos uma lasca da parede pra ir na loja de tinta e pedir para eles encontrarem a cor mais parecida com a atual, pra poder pintar só uma das 4 paredes, e espero que isso seja feito o mais rápido possível. Aquela cor é capaz de causar pesadelos, e se você olhar demais para ela, possivelmente suicídio.
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