segunda-feira, 8 de agosto de 2011

R

Meu orientador brasileiro veio para a Austrália para um congresso e passou em Perth para visitar a universidade e conversar com o Hans e tal. Aí ele sentou comigo também e deu uma olhada rápida em um dos meus capítulos da tese e fez sugestões de adicionar uns 4 ou 5 gráficos com os dados interpretados. Achei as sugestões boas e depois de ter trabalhdo um tanto na faculdade hoje moendo amostras de plantas (sim, nunca tem fim!), eu voltei para casa, jantei e abri o computador para fazer os gráficos.

O sentimento é uma mistura de ódio enorme e da maior frustração do mundo.

Não são gráficos simples. São gráficos em que cada espécie de planta que eu coletei tem uma bolinha de cor diferente, e aí cada lugar em que eu coletei tem um símbolinho diferente. Pra fazer isso no Excel eu demoraria uns 3 dias (cada gráfico, claro!), então eu estou tentando usar o R.

O "R" é um programa que permite que você faça várias análises estatísticas e gráficos e provavelmente muito mais coisas que eu nunca descobrirei e é grátis e é livre e é maravilhoso. Só que tem que não tem interface de usuário, e, portanto, eu tenho que colocar o código de programação para fazer ele cuspir os resultados que eu quero. Isso significa, para mim, que para casa códigozinho que eu coloco, tem uns 10 minutos de procura no google, mais uns 10 de interpretação do que é que a pessoa quis dizer com aquilo, e aí eu uso os comandos. Para as coisas simples, é simples. Mas eu passei as últimas 2 horas tentando colocar uma **** de legenda no gráfico e isso simplesmente está além do meu alcance hoje.

Só falta um mês para terminar e eu estou querendo chorar constantemente. Eu tenho noção de que isso é só uma tese, e que eu não estou apertando o botão vermelho, sabe? Mas acho que isso só piora o meu estado de espírito, porque eu sei que toda a ansiedade e o estresse e o nervoso e o xilique são (mais ou menos) pra nada.

Eu só quero terminar. Tudo o que eu quero é terminar. E a cada dia parece que fica mais longe da reta de chegada, mais labiríntico e complicado e impossível.

Pelos relatos das outras pessoas que já terminaram seus doutorados, parece que todo mundo passa por isso. Só que mesmo assim eu me sinto completamente isolada e completamente sozinha nisso. E acho que esse é o problema do doutorado. O projeto é seu, e ninguém pode te ajudar e trabalhar junto.

Cansei. Minha cabeça e o meu corpo não estão no mesmo ritmo. Eu acordo e meus pensamentos vão a mil com todas as coisas que eu tenho que fazer, mas meu corpo fica na cama como se fosse uma escapatória possível. Eu sento quietinha na frente do computador pra trabalhar e fico pensando em quantos milhões de pedacinhos eu ia ter se eu arrebentasse esse laptop e jogasse ele pela janela e fosse passear no parque.

Eu lembro que na reta final do meu mestrado eu estava tentando fazer umas análises multivariadas no fitopac, o programa mais temperamental do mundo, e dava errado e errado e errado, até que eu comecei a (literalmente) estapear o teclado. O André e o Bruno Aranha e o Pequeno me tiraram da frente do computador e eu fui tomar um café com o pequeno enquanto o André e o Bruno fizeram as minhas análises. Só que aqui não tem André, Pequeno e Bruno. Aqui cada um fica no seu escritório e quando eu peço ajuda, eles me indicam um livro ou artigo pra ler. Todo mundo está muito ocupado em ficar sozinho.

Mais do que o normal, hoje eu estou com saudades.

Mari

5 comentários:

  1. Ai Mari... são nessas horas que a gente tem mais saudade mesmo.
    Mas fique sabendo que mesmo sem comentar com muita frequência, estou aqui lendo todos os seus posts (sei quando vc posta porque seu blog é listado no meu, assim que aparece um novo post ele sobe pro topo da lista) e pode acreditar que estou torcendo muito por vc.
    E acredite, vc não está sozinha!
    Um beijo grande!

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  2. Eh filhona (no aumentativo mesmo, porque sei que você é um mulherãããooo).
    Tá difícil. Eu estou vendo (praticamente).
    Estou com você em tempo integral.
    Vamos planejar o nosso encontro do final do ano, que parece que as saudades doem menos.
    Te amo, mãe.

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  3. Oi Mari,
    Acho que o seu, pode ser um problema genético. Não vou te recomendar um novo doutorado a respeito desta nova possível tese/duvida.
    Eu também crio um monte de monstrinhos, para resolver problemas de 0bras, que no fim não são monstros ou monstrinhos. Sei que é muito dificil passar por esses momentos. Como ouvi ontem, esses momentos só fazem perder sono e fazer com que os ponteirinhos do relógio demorem mais a girar.
    Estamos longe, mas muito perto em pensamentos.
    Vai chegar 30 de Setembro, 15 de outubro, e teremos nós dois terminado, e veremos que com sucesso, o teu doutoramento e eu a minha 0bra.
    Tudo vai dar certo, espante essa maldita duvida, repire fundo, tome um café virtual com o André,o Bruno Aranha,o Pequeno. Me convide que eu também participo.
    Estou respirando fundo, vai dar certo.
    Em tempo: computador ajudou muito, mas é uma desgraça na vida da gente.
    Beijos, te amamos, estamos juntos.

    João Antonio

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  4. Ai Mari, meus dias são exatamente como os seus. Bom, só que eu moro com o Léo e ele me ajuda. hehehe
    Beijos!

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  5. Pô Mari...bons tempos. E com um plus: agora manjo de R tb! hahaha
    Mas gráficos são chefões, ainda mais qdo precisamos colocar as legendas.

    Qq coisa é só mandar um e-mail q ajudamos (eu e Bruno pelo menos, com o R)

    bjo

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